terça-feira, 8 de setembro de 2015

Menos dinheiro na poupança reduz crédito para casa própria

Alguns bancos já emprestam mais que o limite de 65%. Oferta deve cair

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SÃO PAULO - A queda continuada do saldo da caderneta de poupança — de janeiro a agosto, os saques superaram os depósitos em R$ 48,5 bilhões — deve ampliar ainda mais as restrições ao crédito para a compra da casa própria da classe média, que tem nos recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) as menores taxas do mercado.
De acordo com o vice-presidente do Secovi-SP, Flavio Prando, com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil já operando acima da exigibilidade de repassar 65% do dinheiro da poupança a financiamentos do SFH, a maior oferta dessas linhas hoje está nas mãos dos grandes bancos privados, como Itaú e Bradesco, que ainda têm esse funding disponível. Mas com o saldo dos depósitos encolhendo, tendem a chegar mais rapidamente os 65% de enquadramento, ficando desobrigados de emprestar mais a juros do SFH, de, no máximo, 12% ao ano.
— Neste momento, a perspectiva é de piora para a oferta de crédito via SFH — diz Prando, referindo-se ao fato de não haver perspectiva de queda na taxa Selic tão cedo a um patamar que devolvesse atratividade às cadernetas.
MUDANÇA NO FGTS
Cláudia Magalhães Eloy, pesquisadora do Laboratório de Habitação da Universidade de São Paulo (USP), estima que nos bancos privados, que recebem 49% dos depósitos de poupança no país, estariam hoje apenas com cerca de 40% desse dinheiro aplicados em financiamentos para a compra de moradias pelo SFH. Segundo ela, pode até ser que os bancos privados estejam emprestando mais, mas o ambiente econômico não favorece isso, e o custo dos financiamentos subiu muito, restringindo o acesso das famílias.
— Desde o Plano Real, em 1994, com os altos e baixos da economia, o saldo da caderneta de poupança manteve-se em 7,6% do PIB em média. O pior ano foi 2005, quando a poupança caiu a 6% do PIB, e o melhor, 2014, quando atingiu 9,45% — observa, descartando o risco de um colapso dessa que é a principal fonte de recursos da habitação no país.
Segundo ela, o problema não é de fontes de recursos , mas dos custos desses fundos:
— Já temos um estoque considerável de recursos de outras fontes, mais caras, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI). E quem mais vai perder são as famílias que dependem de taxas mais baixas para ter acesso à moradia.
Nesse sentido, outro ponto que trará mais dificuldade de acesso ao crédito habitacional, observa Prando, é o projeto de lei que iguala a remuneração do FGTS à da poupança. O FGTS é a principal fonte de recursos dos financiamentos do Programa Minha Casa Minha Vida, a taxas que variam de 4% a 6,6%. O Fundo lastreia também empréstimos para a compra de imóveis de ate R$ 300 mil, a taxas de 8%.
— Se for aprovado o projeto, a remuneração do fundo sobe de 3% para 6%, e esses três pontos terão de ser repassados aos juros, o que vai tirar a possibilidade de tomada de crédito da classe média baixa — diz Prando, lembrando que o FGTS tem recursos suficientes para a demanda desses segmentos.

FONTE: OGLOBO

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